terça-feira, 3 de julho de 2012

A Síndrome...


Ela acordou... porém tentava a todo custo não abrir os olhos. Havia tempos que a luz do dia a incomodava, e era o que acontecia.
Ofuscada pela claridade indesejada, virou-se para o outro lado, como que num ato desesperado de fugir da luz.
A partir deste momento sabia que a batalha travada duraria horas e horas... Até que viesse a escuridão novamente.
Não tinha medo do escuro, ao contrário de muitas pessoas, porém tinha pavor do dia... Não se sabe ao certo porque, mas, definitivamente, não gostava do dia...
Levantou-se, como que num último esforço, para ir ao banheiro, o único motivo para sair do quarto.
Mal come. Não há apetite a muito tempo...  Engole, forçadamente, umas migalhas de pão. Alimenta-se de remédios, a sua única salvação. Agarra-se ao fio de esperança de que tudo isso um dia vai passar.
Faz um esforço descomunal. Sai de casa.
Anda na rua...
suor, frio,
calor, tontura,
pessoas...
muitas pessoas...
carros, motos,
semáforo,
náuseas...
sua frio...
Controla seu pensamento: - Outra crise não... outra crise não... aqui não...
Respira fundo, uma, duas, três... inúmeras vezes...
Ouve alguém gritar seu nome, nem olha pra trás, a única coisa que deseja é que tudo isso acabe.
Ela tenta reagir, luta diariamente com seu corpo, contra si mesma.
Está só. Só em meio a um turbilhão de sensações que invadem o seu corpo.
- Controle a mente... controle a mente...  - Ela fixa nessa idéia, sentindo o suor escorrer pelas mãos.
Pensa em conversar com alguém, mas quem a entenderia? Mais julgamentos? Mais rótulos? Não. Basta!
O sol se põe. Um alívio. Mas ainda não terminou seu suplício. Arrasta-se até a aula. Perdida. A alma vagando em meio aos sons.
- Onde está você? Onde está você? Controle a mente... Controle a mente...
Volta correndo pra casa, anda apressadamente, quase corre, coração acelerado, boca seca, mãos suando.
- Já tá chegando, já tá chegando...
Chega em casa, abre a porta, adentra no seu quarto, no seu mundo particular.
Decepção. Dor. Angústia... Não está só... Violaram sua fortaleza secreta...
Terminou? Não. Tudo está apenas recomeçando...

terça-feira, 19 de junho de 2012

A Espera




Ela acorda, na verdade nem dormiu, fica deitada a espera que algo aconteça, nada acontece. Já faz um tempo que desistiu de ir à luta, sabe que se entregar não faz parte do caminho da libertação, mas se entregou.
Observa as paredes, os móveis, pára o olhar por alguns instantes num desenho em sua parede, a frase... Ela mesma o fez. E pela milésima vez pensa na ocasião que a fez marcá-lo ali, tão perto de si. É como trazer pra perto algo que está longe, sente saudades e sorri, pela primeira vez no dia.

E assim as horas passam, ela continua deitada, não come, não bebe, apenas espera que a vida passe. E espera deitada. Pensa em todos os motivos que a fazem não querer reagir, pensa em algo que a faça seguir. Não encontra. Pensa mais um pouco, já é noite, e, como que num ato de misericórdia consigo, levanta, toma um banho e chora as últimas e escassas lágrimas que ainda existem em seu ser seco, desértico... Se arruma, respira e sai. Vai ao encontro daquilo que ainda a faz ter forças pra sair de sua fortaleza, e enquanto a música vibra em seu corpo ela recarrega as baterias e cria coragem de brincar de novo, de sorrir, de conversar besteiras. Superficiais.
E volta, volta pro seu mundo, seu quarto, suas paredes, a frase...


Fica na espera de que um dia ela volte a si mesma. A espera de uma gota de luz, de um estímulo que a faça viver novamente. Sorrir verdadeiramente. Uma razão pra ser feliz de novo. De conversar sem fugir do assunto "eu". De olhar novamente nos olhos das pessoas, de amar, de ser amada. Ela ainda espera.
E sozinha rompe madrugadas a fio, muitas vezes sem pensar em nada. Deita. Não dorme. Fantasia uma semi-felicidade em sua cabecinha. Já sabe que não vai dar certo. Desiste. Nem tentou.

Descarrega.
E tudo começa novamente.

sábado, 16 de junho de 2012

O Fim

Olhei pra sala. Vazia.
Procurei no meio da noite. Escuridão.
Acendi o último cigarro. O fim.
Pensamentos invadindo a mente. Luta imaginária.
Batalha travada entre meu coração e meu cérebro.
Voltas. Voltas. Voltas.
Nenhum recomeço.
Um último esforço. Acordei.
A dor. A solidão. O aperto.
Respira. Olha pra frente. Caminha.
Não é o fim... Não é...
É sim.  

"É preciso deixar a nona sinfonia acabar, mesmo sendo linda... Mesmo sendo única…
Quando finda o som, é preciso silenciar, arda o quanto doer!
É preciso semear agora para colher boas lembranças... E para não temer a música"
Fabio Rocha

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Farol da Noite




Falo em deixar pra depois
De encarar os fantasmas e os medos
E assim vir recomeçar
E deixar que agora seja um tranquilo mar
Que se acende ao farol da noite
Espera a tempestade chegar
Deixo vir a mim o céu o nõ no despertar
E enquanto isso sinto calor
No meu dominio insano desse amor
Que me carrega, me veda, me quer ver sangrar
E a voz quente por dentro
Me ensina a cantar essa dor
E tenta entrar e para pra poder contemplar
A calma, a falta de pressa
O caminho que eu fiz pra aqui chegar
E falo em deixar pra depois...

(Fernanda Guimarães)


É isso... EXATAMENTE isso...
Preciso deixar o grito sair da garganta, desfazer o nó.
Relaxar, criar as oportunidades, me desprender do passado.
"Encarar os fantasmas e medos e assim recomeçar... Cantar a dor!"

Beijos!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Desabafo



Você não merece minhas palavras, mas eu não consigo deixar de dizê-las. Não consigo me impedir de escrevê-las, simplesmente porque eu preciso que você as leia um dia. Entretanto será impossível, creio que vc jamais engolirá esse seu orgulho ferino.
As mesmas palavras de sempre, os sentimentos que perfuram o meu coração desde que nos vimos pela primeira vez, tudo clichê. E eu estou cheia dos clichês: de que você não sabe que eu existo, e que me fez sofrer, e que eu ainda posso gostar de você, e que lembro de você de vez em quando, e... e etc. 
Como pode? Uma semana foi o suficiente pra essa bomba explodir em minhas mãos e dilacerar com tudo o que havia de mais bonito dentro de mim... É dolorido ter que te ver. Ainda que seja separados fisicamente por uma tela fria de um computador. Mas mesmo assim você poderia, pelo amor de Deus, me dar oi pelo menos uma vez? Ou ao menos fingir que eu existo? Eu me sinto tão insignificante pra você.
Eu nunca sei se eu queria realmente que você tivesse me amado, ou que simplesmente sumisse da minha vida. O segundo é a maneira mais prática, porém mais dolorida. O primeiro vem a ser a mais complicada, e provavelmente tão dolorida quanto a outra. 
Eu errei. Mas... qual foi mesmo o meu erro?  Creio que os dois erraram, fomos rápido demais... Infelizmente não posso prever o futuro. Não posso dizer se você é o mocinho ou o vilão. Não consigo falar com você. Não consigo me dirigir à você. Nem seu nome suporto ouvir. Porque dói. E é uma dor aguda, bem lá no fundo do peito, que me sufoca e me tira as forças...
Você me fez acreditar num mundo de sonhos que eu tinha guardado dentro do baú e jogado a chave fora, me fez despertar, acreditar.... sonhar...
Mas eu sempre me vejo desejando que você esteja brincando comigo. E que na verdade só esteja esperando a hora certa pra me surpreender e dizer que me adora, e que sempre me adorou. E que a gente ainda vai sair muito pra passear com nossos cachorros, e sorrirmos como crianças com as besteiras um do outro. Era tudo tão divertido!
Mas ambos sabemos que isso não é verdade.
Estou farta de ser a única que sempre sofre, a única que sempre "volta a te amar" toda vez que você dá o mínimo sinal de vida que seja... 
BASTA! 
Você não poderia me fazer te odiar? Porque eu não estou conseguindo sozinha....
Você me deixa louca, com os nervos à flor da pele. Você poderia me explicar por que isso acontece? Por favor, eu só quero me ver livre de você. Ou, ficar pra sempre junto de ti.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Espelhos

Amanhã, tá decidido, vou comprar UM ESPELHO beeem grande pro meu quarto!
Pra que todos os dias, quando eu acordar e me ver, aprender quem é a primeira pessoa a quem devo amar todos os dias!
 E, se ele quebrar, não vou chorar... Eu comprarei outro, e comprarei tantos sejam preciso, pra que eu veja quem realmente importa!
E a cada dia tentarei me dar mais valor! Não importa se eu estiver gorda, mal-feita, magra, morena, ruiva ou loira.
CHEGA DE ESPELHOS QUEBRADOS!!!!!!!!!!!!!!!!
Eu preciso me ver como REALMENTE sou. Aceitar quem realmente sou. E a partir disto, enxergar as outras pessoas como reflexos de outros espelhos, e não procurar o meu no reflexo delas!
Cansei de tentar me ver no reflexo do que eu não sou!!!!

quarta-feira, 7 de março de 2012

A Atriz...



Na verdade eu não sou cantora. E não adianta me dizer que o sou.

Eu sou ATRIZ, e interpreto tão bem o meu papel, que engano toda a humanidade. 

Eu interpreto uma cantora nos fins de semana. Uma professora. Uma universitária. Uma geógrafa. 
Dentre outros papéis... Vários papéis... 
Em quase todos eu sou feliz. Sorrio constantemente. Brinco e levo uma alegria comediante. 
Alguns são mais dramáticos... Carregados de emoções... 
Mas ao sair do palco, longe dos olhos da platéia, ao me desfazer dos meus personagens, eu não sou nada. Nem alegre, nem triste. Nem feia, nem bonita. 
Eu sou só um corpo, de uma atriz, aguardando sua próxima entrada no palco, para apenas fazer o que de melhor sabe: ATUAR!


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O céu sabe que estou arrasada agora...


Eu estava feliz na bruma de uma hora embriagada
Mas o céu sabe que estou arrasada agora...
Estava procurando um emprego,
E então eu encontrei um emprego.
E o céu sabe que eu estou arrasada agora...
Na minha vida, por que eu desperdiço um tempo precioso com pessoas que não se importam se eu estou viva ou morta?
[...]
O que ela me pediu ao final do dia faria Calígula corar "Você está nesta casa há tempo demais", ela disse.
E eu naturalmente fugi...
Na minha vida por que será que eu sorrio para pessoas a quem eu preferiria muito mais chutar no olho?

(Heaven Knows I'm Miserable Now - The Smiths)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Vazio...

E o vazio voltou... E cada vez que ele volta, volta maior... E aquele aperto também. E a sensação de que nada está bom...
O que se faz quando tudo o que você mais amava na vida, agora lhe parece uma triste obrigação a cumprir? Tá tudo frio... Sombrio... Sorrir é um ato mecânico de abrir os dentes pra mostrar que está bem e para as pessoas pararem de perguntar o que você tem... Porque nem você sabe o que tem... Como explicar?
Hoje tá dificil. Amanhã eu me reconstruo. E vou vivendo, calmamente, um dia de cada vez. A espera da cura...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Cartinha da Cris Ribeiro para o Papai Noel!


Papai Noel...

Este ano fui uma menina má... É, eu admito...
Mas o Senhor tem que ver, que eu não fiz mal a ninguém... Pelo contrário, tentei ajudar as pessoas, mas a escolha do que se deve fazer, Papai Noel, é delas, não minha!

Eu enganei menininhos... eu sei, eu sei... é que quando a gente se fere uma vez, é muito difícil recomeçar e confiar novamente... Tá, eu sei que precisamos dar uma nova chance e tals, mas para o caralho quem vem cheio de mimimi lerioso (falsas promessas) pro meu lado saca mô véio?
Sim, Noel, eu sei que eu não precisava ser tão radical e as porra toda... Mas cara, eu ia deixar que os outros brincassem com meus sentimentos? Papai Noel, pode não parecer, mas eu tenho um coração!

Muitas vezes me senti sozinha... Isso doeu. Mas eu sempre soube levantar a cabeça e seguir em frente sem quase derramar uma gota de lágrima, as poucas vezes que chorei foi por não aguentar mais certas situações. A gente cansa sabe? Acho que esse meu jeito de ser é um reflexo da vida em mim. De tantas coisas que eu já passei, já sofri... Não acredito mais na bondade das pessoas como antes... É, parece que eu cresci!

Quando a gente cresce Papai Noel, a gente vê que o mundo não é essa coisa linda que nossos pais nos diziam, ele é desafiador... Se você não souber se virar na malandragem, nego véio, a vida passa por cima de você... E te escraviza. Escraviza a tua mente, os teus sonhos.
Daí então você percebe que nem tudo é bonito e colorido como nos sonhos, nos contos de fada. E você cai na vida real. Se estabaca na vida real e isso é tão difícil, que, no início, eu parecia desnorteada. E eu definitivamente não sou uma pessoa sem Norte... Tenho minhas metas. Muitas metas...

Daí como eu vou ser uma boa menina no meio disso tudo Papai Noel? Me diz?
As pessoas tentam instintivamente passar por cima uma das outras, o amor já não prevalece mais. Foi-se o tempo em que as pessoas estavam juntas por amor! Já não há mais o brilho nos olhos, o companheirismo, a alegria de ser dois em um... Hoje, é cada um por si e Deus por todos.

Não posso amar. Não agora, entende?
Tá, eu sei que isso não é desculpa pra sair pegando geral e tals... Mais e eu vou morrer seca é? Na na nina naão!
A gente precisa aproveitar o pouco tempo livre que este capitalismo selvagem nos reserva, à diversão! Ééééééé Noel... a gente precisa se divertir mais, relaxar. Ou, nesse mundo, só vai haver louco. Mais loucos...
Se você quiser, Papai Noel, eu te ajudo! (Tá vendo que sou uma boa menina?) 
Venha comigo, vou te mostrar tudo o que há de mais alegre e divertido sem deixar de ser politicamente correto!
Venha curtir o melhor Natal da sua vida! Vamos tomar muito vinho e celebrar! Que tal? \o/
Fico no aguardo da resposta!
Obrigada pela atenção Papai Noel!

De sua querida

Cris


P.S.: Não esquece do meu presente tá? Anota aí direitinho: 
Uma caixa com 12 garrafas de vinho.
3 grades de cerveja Skol.
E uns tira-gostos (esses o senhor escolhe tá?)

Beijooo