quinta-feira, 30 de junho de 2011

Eu apenas queria...



Eu apenas queria que você vivesse um dia de cada vez...
Um dia com calma, outro com surpresas, mais um com alguns probleminhas e, que nesse dia, você não levasse tudo isso tão a sério!
Queria que todos aqueles sorrisos que eu vi saltar dos seus lábios voltassem a eles, tal qual o vai-e-vem do mar na enseada ao entardecer.
Queria que os seus olhos brilhassem como a luz do luar... Iluminando, assim, a sua vida!
Queria que você voltasse a se divertir, a viver, a brincar, a sorrir... Queria que você se libertasse, e vivesse a sua vida em função de si próprio, não dos outros...
Eu queria poder enxugar as suas lágrimas como antes, queria poder oferecer o meu colo e te ouvir apenas soluçar num silêncio profundo. Queria que você tivesse acreditado quando eu olhei nos seus olhos e disse que estava tudo bem, que tudo ia dar certo... As coisas só acontecem quando nós acreditamos nelas!
Eu queria poder arrancar do seu peito essa dor, que dói em você e mata a mim. Queria ter o poder de te fazer esquecer de tudo o que te faz crer que você não precisa mais viver. Porque você precisa!
Queria que você entendesse que a vida é uma dádiva... Que este é o maior presente que Deus nos dá! Ele o renova a cada amanhecer... Que tudo o que vivemos é prova de que somos fortes o suficiente para ir em frente e tentar ser feliz.
Que a felicidade não vem de uma vez, ela vem devagarzinho, nos preenchendo... as vezes esvaziando, mais nunca deixa de estar por perto.
Queria que entrasse nessa sua cabeça o quanto você é especial, o quanto é amado, querido, por seus amigos e família. Que todos estão, de sua forma, orando e enviando energias positivas para você, para que saia dessa, para que viva a sua vida plenamente, para que prossiga e tenha êxito no futuro.
Eu, realmente queria que nada disso tivesse acontecido... E quero que saiba que, esteja eu onde estiver, estarei orando por você, orando com toda a fé que tenho em mim... rompendo madrugadas entoando os mais lindos louvores ao altíssimo, com esta voz que Ele me concedeu, para que a sua vida seja transformada, para que sua dor seja sanada e as cicatrizes fechem.
Esteja você onde estiver, saiba que em algum lugar do mundo, alguém se importa com você, e ora pelo seu bem estar e pela sua felicidade. E que eu trocaria de lugar fácil para jamais vê-lo sofrendo.
Um dia eu prometi. Eu cumprirei.
Não importa se eu estiver longe. Não importa se eu estiver triste, sofrendo, com raiva...
Eu queria. Eu pagaria para, apenas, te ver feliz outra vez.

Deus estará contigo nas noites insones, e enxugará todas as lágrimas ocultas com o Seu amor. Deus é o Deus dos valentes!
Fé. Força. Coragem. Tudo certamente VAI PASSAR!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Escolhas



Quando eu te escolhi, eu escolhi meio sem pensar...
Na verdade eu nem sabia que estaria escolhendo você. Nem pra que eu te escolhia...
Eu só queria que você estivesse bem. Eu escolhi cuidar de você.
E assim o fiz pelo tempo que você se deixava ser cuidado...
Depois, eu escolhi me afastar... E acho que você também...
Eu escolhi sofrer, você mentir...
Eu escolhi chorar, você sorrir...
Eu escolhi viajar, você comemorar...

Agora eu escolhi olhar para frente, você para trás...
Eu escolhi ser feliz, você viver triste...
Eu escolhi viver, você morrer... Pois morrer por dentro também é uma escolha!
Eu escolhi não mais me importar... Não mais fingir... Não mais ligar...
Escolhi também não mais escrever... não mais pensar...

Eu escolhi cuidar de mim... não mais de você...



P.s.: Se cuide!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fênix


Quando ela decidiu se afastar, tudo já estava traçado. O fim já era fato, mais a ilusão a embalsamara, deixando-a além do mundo real.
Ela se fez forte. Não ligou, não chorou, não se lamentou.
Fechou-se em um mundo irreal de onde não queria mais sair. Era cômodo não sentir dor.
O tempo foi passando e os dias esfregando a dura realidade na cara, na alma e no coração. Aquilo que ela fingidamente aceitara sem dor, começava a incomodar.
E o mundinho começou a ruir... Tudo desabara em sua cabeça. Realmente tinha sido deixada para trás, tal qual poeira no deserto... Agora era o seu coração que estava deserto...
E isso doeu, doeu tão fundo... Mais ela aguentou. Calou a dor com um sorriso e tocou uma melodia bem intensa, como que tentasse incubar mais uma vez aquele turbilhão de sentimentos guardados de outrora.
Foi derrubada por si mesma.
A dor de não ter desabafado agora lateja. Na mente, o arrependimento de não ter esbravejado, chingado e esperneado quando deveria.
Ela desejou sumir. Ela desejou morrer.
Não por conta do acontecido. Mais por conta de sua pseudo-burrice de ter guardado para si o veneno que deveria ter sido injetado em sua presa.
Não deu o bote. Agora agoniza com sua propria dose letal.
Não morrerá, mais matará dentro de si aquele que deveria ter sido enterrado a tempos.
Dentro de si a certeza de que, ao se levantar, estará ainda mais forte!


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Recomeçar


Eu quero vomitar na tua cara cada palavra que eu engoli a seco, quero poder gritar aos 7 ventos tudo aquilo que você mais quer esconder.
Quero voar com a mesma intensidade de uma águia jovem, liberta, leve...
Quero sorrir novamente com todos os dentes e forças. E esquecer todo esforço que outrora tive de fazer para fingir felicidade.
Quero pular até cansar as pernas. Quero gargalhar até doer a barriga!
Necessito de um sopro de vida novo. De novas razões, novos rumos...
Preciso tomar posse da minha vida. Colocar este trem descarrilado nos trilhos e seguir em velocidade máxima com destino a felicidade!
Quero correr sem rumo em um dia de chuva, e secar ao sol as lágrimas que jamais caíram.
Quero amar novamente, e ser amada. Quero reciprocidade.
Quero esquecer os carnavais passado, esquecer as dores, os amores, os terrores...
Quero recomeçar! Quero te esquecer!
Quero só te dizer, que tudo está tão bem, tão melhor agora!
O céu está mais bonito, mesmo quando está nublado. As gotas de chuva cantam uma bela canção que fala de amor... Fala de uma paz que eu não sentia... De um sossego que eu não tinha!
Recomeçar. Reinventar.
Isso é crescer! É viver! É querer!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Um brinde a nós!

"Chove... pode chover! Preciso de chuva no rosto pra lavar esses pontos de interrogação que insistem em aparecer..."
(Brenna C.)



[...] Quando ele foi embora naquela noite fria eu sabia que não o veria mais. Quando eu pedi pra que ele não sumisse, tinha plena certeza de que era justamente isso o que iria acontecer. E foi!
Saiu da minha vida do mesmo jeito das outras vezes: sem explicação. E pra que explicar o que não se explica?
Pena que dessa vez não me fez a mesma falta... A gente se acostuma com as coisas, mesmo as ruins... Eu me acostumei a isso.
Dessa vez, não me deu vontade de procurar. Não me deu vontade de ir atrás, de ligar, de falar...
Dessa vez eu entendi. Quer ir? Tá massa! Valeu!
Não vou mais sentir falta do que nunca tive... Do que não me pertence, do que não se importa comigo...
Pra você, deixo apenas o meu Adeus... É a única coisa que posso dizer, é a unica coisa que tenho para você hoje!
Hoje chove...
Eu poderia sentir aquela saudade do abraço, do beijo, do calor, mais não...
Eram abraços e beijos vazios, e vazio é uma coisa que não preenche, porque não existe nada a oferecer.
Eu não sinto dor, nem falta, nem me preocupo, não procuro mais...
É uma procura no escuro por alguém que não quer se achar... Só lamento...

Hoje chove... E vindo pra casa sentindo a chuva na cara eu percebi que já não precisava mais da sua presença na minha vida... Fiz uma reflexão dos últimos dias em que me diverti tanto que, olhe só, acabei esquecendo de você!
Hoje eu vou abrir um vinho...
Seria triste fazer isso e lembrar de que era com você que eu brindava...
Mais dessa vez será diferente!
Eu bebo só, brindo só, comemoro só...
Afinal, quem quiser brindar comigo, agora terá de fazer por onde merecer o meu 'tintin'!

Portanto, um brinde a nós!
A tudo o que a gente não foi!
Um brinde as raivas que eu estou deixando de ter, as lágrimas que eu estou deixando de derramar, e as palavras que, em vão, eu iria falar...
Um brinde solitário a mim e a você!
A mim por ter, finalmente, tomado a atitude de te esquecer. E a você por ser, novamente, covarde o suficiente para não olhar nos meus olhos e, dessa vez, me escutar pronunciar cada sílaba da palavra adeus!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Da série textos fodásticos³


"Cansei de gritar e resolvi latir"




Como é horrível ser um animal. Um animal menininha. Usar vestidos, fazer as unhas, pintar os lábios, andar pisando leve. Por dentro, esse animal com fome, desesperado, selvagem, irracional.
Que bom dia que nada, cara. Que boa noite, que muito obrigada. Por que você não vem me amansar? Rasga o vestido da menininha, rasga.
Mata essa fome que eu estou de engolir seu ego, de te deixar perdido, de acabar com essa sua panca, essa sua distância.
Que se dane o esmalte falso das minhas unhas, eu que já guardei restos de células mortas da sua pele. Tira essa cor inventada da minha boca, esse tom estúpido de flor artificial. Faça ela ficar cheia de sangue vivo, entreaberta entre um grito e um riso. Tira esse meu andar leve e ereto, me entorta, me coloca do jeito que você gosta.
Que bom dia que nada, eu vou latir no seu ouvido se você achar que tem o poder de me magoar.
Para que ferir meu coração se você pode ferir o meu útero? Para que dominar minha cabeça se você pode dominar o mundo pequeno e errado que eu inventei?
Eu que me faço de bem resolvida, por dentro são palpitações, são vozes de incentivo ao ataque, é calcinha de moça marcada por tanto desejo.
Eu que um dia vou ter que ser mãe, que um dia vou ter que aprender a escrever. Eu que preciso ser levada a sério, preciso perceber que sou sozinha, preciso cuidar de mim. Eu que agora me atraso mais um pouco, sendo apenas instintiva.
Olhando você e só querendo correr de quatro até sua canela e morder toda a lógica dessa frieza.
Querendo te enfiar dentro de mim para preencher o vazio de ser incompleta.
Para sempre a vida me deve, e eu devo tanto a ela.
Querendo calar as batidas do meu coração ansioso com nosso atrito desesperado por minutos de paz.
Para sempre o silêncio, de quem não pode pedir, mas morre de desejo, de quem acaba de conseguir, mas morre de culpa.
Olhe para mim, me dá ração que eu estou morrendo. Olhe para mim, me deseje de novo porque eu estou murchando...
Ou apenas venha me distrair, apenas esqueça todos esses poemas falsos. Esqueça todas essas justificativas sofridas para uma simples vontade de deitar com você de novo.

Tati Bernardi


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E ela, mais uma vez, consegue expressar EXATAMENTE o que eu estou sentindo...
PUTAQUEOPARIUUUUUUUUUUUU

Sem tirar nem pôr, é issoaê!

Beijos!


/criis

segunda-feira, 2 de maio de 2011

E eu que sou quase de ferro...



Me sinto um corpo sem alma... vagando... vagando...
A espera de algum ser de alma caridosa que me salve. Mas ninguém salva...
Eu que fui tão cheia de vida, tão sonhadora... me tornei este ser desconfiado... quase amargo.
Um quase misto de quase tudo que eu nunca quis ser.
Eu que corria pela praia com aquele sorriso de moleca de 5 anos quando vê um picolé, hoje apenas caminho sem direção olhando pro nada...
O vazio do meu ser me consome... Me deixa estéril.
Um tanto quanto sobrenatural.
É como se eu soubesse o que vai acontecer. Porque a minha vida é um replay sem fim...
Tudo se repete, e eu ainda não sei lidar com isso.

Ahhh se as pessoas soubessem que por dentro da minha armadura de ferro habita um ser dócil, terno e amoroso... Mais nem eu sei como abrir esta tal armadura. Como sair dela? como?
A cada dia eu vejo novamente aquele velho filme passando, as cenas se repetindo...
E eu, a protagonista e autora desta história não tenho sequer forças pra mudar o enredo.
O mocinho fugiu com a mocinha e eu sou a vilã.
Sempre fui a vilã.
As vezes até gosto!
Vilões sempre são mais emocionantes! \o/
Pena que acabam sozinhos, presos, são sempre errados e ninguém quer chegar perto!

Eu só queria me sentir EU de novo.
Talvez as quedas da vida me fizeram endurecer. Eu já fui a mocinha.
Já fui querida, amada... Mais fui enganada, me perdi...
Agora, tudo o que quero, é encontrar o caminho de volta... Pra dentro de mim mesma!

/criis

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sentimentos alados

"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."

Clarice Lispector


E mais uma vez um desencontro de idéias...
Ela, mais uma vez desistiu.... Ele, mais uma vez não se deu uma chance...
E passaram-se os dias... A cada toque do telefone, um calafrio percorria o corpo dela. Não era ele... Não seria...
A mágoa tomou de conta do seu coração... Consumindo a ultima gota da sanidade que ela preservara.
E a vida seguiu. Ela viveu como antes, as mesmas festas, as mesmas pessoas e até as mesmas bebidas tornaram-se parte do seu processo de ocupação mental, um modo de fingir para si própria que tudo estava indo bem.
Ele se ocupou, também soube aproveitar cada minuto sem a necessidade daquela voz que o fazia, por vezes, esquecer os problemas e dar risada da vida...
Eles lembraram, sim, dos dias em que sorriam, brincavam e conversavam, mais a decisão estava tomada... ninguém queria voltar atrás...
E teve o dia da raiva, o dia da falta, o dia da superação e o dia de não mais suportar aquela ausência... O dia de quebrar o orgulho: Ela ligou.
Num momento de carência, fraqueza, saudades... Ela desejou ouvir de novo a voz...
Aquela que ja fazia parte da sua rotina, que a fazia rangir os dentes de raiva ou gargalhar de alegria...
E a voz foi receptiva... Ele também quis vê-la.
E tudo recomeçou, ele quis vê-la, sentí-la, tocá-la. Ela, que jamais escondera que muito a agradava aquela companhia, aceitou-o de volta.
Mais dessa vez estava tudo tão diferente... Ela sabe que isto não durará para sempre... Quando esta fase irá passar?
O medo de sofrer é o seu maio pesadelo. Ela não quer se apegar. E se ele for embora novamente? Não... Dessa vez será tudo de outro modo. Outras atitudes, outros sentimentos.
Muitas perguntas rondam sua cabeça... Porque ele voltou? Será que também sentiu falta? O que ele realmente quer?
As respostas pras demais ela não tem.
Mais a resposta da ultima pergunta sim: Ele não quer você.
Simples assim...
Ilusão? Não.
Necessidade de estar junto talvez...
O fato é que a bela moça está presa a uma linha invisível de um sentimento descontínuo, do qual ela mesma não sabe explicar...
E ele, que tenta afastar uma presença que torna-se, a cada dia, mais necessária a sua vida. Não de uma necessidade contínua, mais uma dependência física, psicológica.
Ambos apesar de não admitirem, necessitam um do outro ainda que apenas uma tênue presença, seja ela real ou imaginária...
E o amor? Não existe... Tudo isso está muito além da hipocrisia do que se chama 'amor'. É um sentimento alado, um dia ele vem: forte, intenso... No outro se esvai feito água nas mãos...
Talvez seja mais, talvez seja menos... Talvez nem exista!
A palavra certa pra definir?
P-A-R-C-E-R-I-A.

/criis

segunda-feira, 21 de março de 2011

Da série: Textos Fodásticos²


"(...) Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais...

Mas aí, daqui uns dias.... você vai me ligar. Querendo tomar aquele café de sempre, querendo me esconder como sempre, querendo me amar só enquanto você pode vulgarizar esse amor. Me querendo no escuro. E eu vou topar. Não porque seja uma idiota, não me dê valor ou não tenha nada melhor pra fazer. Apenas porque você me lembra o mistério da vida. Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo."

Tati Bernardi

sexta-feira, 18 de março de 2011

Desabafo¹: O encontro consigo mesma e o recomeço.

Ela teve tantas fases depois que tudo terminou...
Teve a fase da irradiante loucura libertária, aquela fase pós-fim na qual nos entregamos sem pensar pra tudo o que vier. Festas e festas e festas... bebidas, bebidas e bebidas...
Queremos fazer tudo o que não nos era permitido e o diabaquatro. PASSOU.
Depois teve a fase da falta. Da depressão. Do: "como eu vou viver agora?"
Passou por essa fase sem demonstrar. Sofreu sem chorar. Foi 'forte', mais nunca se libertou.
Aí veio a fase do costume, a gente vai pouco a pouco acostumando com a ausência. Acostumando com a dor, aí mandamos o mundo tomar no cú e nos sentimos muito bem com isso.
Daí a gente aprende a viver novamente, a andar sozinha, a tocar os pés no chão, a ser dona de si, a obedecer ao que der na telha.

Ela voltou a viver. O sopro de vida retornou.
Porém aquilo não estava morto, ela apenas guardou a dor. Num cantinho em que jamais seria mexido. E conviveu com ela todos esses dias... anos..
Ela foi feliz. Sorriu. Se apaixonou.
Brincou, bebeu, VIVEU.
Mas nunca tirou a dor de dentro de si. E de vez em quando aquilo voltava pra amargurá-la...

"ALGUÉM

Alguém me levou de mim
Alguém que eu não sei dizer
Alguém me levou daqui.
Alguém, esse nome estranho.
Alguém que não vi chegar
Alguém que não vi partir
Alguém, que se alguém encontrar,
Recomende que me devolva a mim."

Padre Fábio de Melo

Ela precisava de ajuda, de alguém, que despertasse nela o desejo de ser diferente.
Suas amigas foram seu porto seguro. Algumas tornaram-se mãe, irmã e até inimiga.
Encontrou apoio, colo. Só não encontrou consigo. Ela não estava lá...
Ela ainda se recusava a falar. Ela só queria esquecer, e falar competia lembrar.
Mais quem disse que ignorar é esquecer?
Ela ia levando, vivendo, penando e sofrendo.

Sua família ainda lembrava dele. Amavam ele. Ela nunca o amou. Ela deixou de se amar por ele...
Ele era um fantasma. Que assombrava, e que fazia sofrer pelo simples fato de ter existido.
Vinham as comparações dolorosas. Aquelas das quais eram impossíveis fugir, afinal ele tinha sido sua única referência de vida até então. A sequestrara. A mantinha no mesmo cativeiro de antes. Mas dessa vez a porta estava aberta. Mas porque não saía então?
Ela também não sabia. Não sabia o que a prendia, não sabia sequer porque continuara presa naquele passado que... Passou!

É isso, P-A-S-S-O-U!

Precisava se dar conta. Precisava se dar uma chance.
Raiva não tinha. Amor também não. Então? O que a prendia?
A dor. O medo. O talvez. A incerteza. O Trauma.
Tudo preso dentro dela e ela fingia que estava bem.
Tanta coisa boa passou depois disso e ela continuava com as comparações... Com os medos e com as lembranças...
Deixou de ser uma pessoa doce. Deixou todo o romantismo que tinha.
Tornou-se outra. Amarga, dura, fortalecida pela dor que ainda a atingia.

Aí ela chorou. Chorou por ela, por todos esses anos de dor e angústia, de medo e incerteza.
Chorou por ter ficado com seqüelas tão grandes que nem mesmo o tempo foi capaz de apagar.
Chorou por nunca ter chorado. Chorou por ter engolido o choro tantos anos.
Chorou apor se fingir de forte quando apenas precisava ser fraca. Chorou por ter desperdiçado tempo. Chorou por não se reconhecer mais...
Era um choro de dor. De mágoa.
Estava magoada consigo mesma por estar ainda presa quase 4 anos depois do fim.


Mais agora tudo mudava. Pessoas a ensinaram a deixar pra trás o passado, a enterrar seus medos, a se (re)descobrir novamente...

E é isso que ela vai fazer...

Ela, a partir de hoje, vai VIVER. Vai dar uma chance a si mesma. Vai recomeçar do zero. Vai queimar o passado. Vai, antes de tudo, amar a si mesma!

Egoísmo

Sinto falta de você.
Mas o que sinto falta é de tudo o que é seu e me falta.
Sinto falta de minhas faltas que em você não faltam.
Sinto falta do que eu gostaria de ser e que você já é.
Estranho jeito de carecer, de parecer amor.
Hoje, neste ímpeto de honestidade que me faz dizer,
Eu descobri minhas carências inconfessáveis que insisto em manter veladas.
Acessei o baú de minhas razões inconscientes
E descobri um motivo para não conitnuar mentindo.
Hoje eu quero lhe confessar o meu não amor, mesmo que pareça ser.
Eu não tenho o direito de adentrar o seu território
Com o objetivo de lhe roubar a escritura.
Amor só vale a pena se for para ampliar o que já temos.
Você era melhor antes de mim, e só agora posso ver.
Nessa vida de fachadas tão atraentes e fascinantes;
nestes tempos de retirados e retirantes, seqüestrados e seqüestradores,
A gente corre o risco de não saber exatamente quem somos.
Mas o tempo de saber já chegou.
Não quero mais conviver com meu lado obscuro,
E, por isso, ouso direcionar meus braços
Na direção da dose de honestidade que hoje me cabe.
Hoje quero lhe confessar meu egoísmo.
Quem sabe assim eu possa ainda que por um instante amar você de verdade.
Perdoe-me se meu amor chegou tarde demais,
Se meu querer bem é inoportuno e em hora errada.
É que hoje eu quero lhe confessar meu desatino,
Meu segredo tão desconcertante:
Ao dizer que sinto falta de você
Eu sinto falta é de mim mesmo.

Padre Fábio de Melo(Quem me Roubou de Mim)


/criis